Domingo, 30 de setembro de 2012, estádio Couto Pereira: o futebol brasileiro dá mais um passo ao fundo do posso. São Paulo e Coritiba empatavam por 1 a 1, o juiz apita o fim da partida, todos os jogadores se movem aos vestiários, menos um. Lucas, meia são-paulino, caminha lentamente em direção a uma fã, aparentemente torcedora do coxa e o resto, bom, vocês já sabem...
Eu não deveria, nem queria estar falando sobre o assunto. Porra, é semana de Champions, de eleições, de Barça contra Real, de superclássico das Américas... mas aconteceu. Demos mais um passo em direção ao fundo do posso. Começo a me questionar cada vez mais se a capa da FourFourTwo não estava certa. Eu disse apenas mais um passo? Porque na verdade foram dois.
Sábado, 29 de Setembro de 2012, Náutico e Atlético-GO se enfrentariam pela mesma rodada do brasileirão, a torcida do Timbu exibe uma faixa na arquibancada: "Não irão nos derrubar no apito". Protesto legítimo, até onde sei. Mas às vezes nos esquecemos de uma palavra chamada censura. Sim, a temida, a horrível censura. O árbitro Leandro Vuaden se sentiu ofendido com o protesto dos torcedores e decidiu que não iniciaria a partida enquanto a faixa estivesse lá. Pior ainda: alertou a polícia, que retirou a faixa. Mas a faixa logo estaria lá novamente, o que pode ocasionar em uma multa para o clube. Acredite se quiser...
Sobre o acontecido no Couto Pereira, não choverei no molhado. É claro que as organizadas são só um dos muitos cânceres que o futebol brasileiro tem. Mas, mais estarrecedor que a atitude dos torcedores, é a declaração do presidente do Coritiba, colocando a culpa na garota e em seu pai, inocentando os torcedores que agrediram a menina e seu pai.
Pra variar, enquanto escrevo esse texto, a TV me obriga a ver a mais nova propaganda da Brahma, "imagina na Copa". Decidi fazer abaixo, uma pequena análise da propaganda, tentado desmascarar alguns mitos explícitos nela.
Para começar, e já falando uma grande merda, o locutor anuncia o Brasil como o país do futebol. Pera aí, um país em que a média de público de seu campeonato nacional é menor que o campeonato suíço e que as segundas divisões da Alemanha e da Inglaterra é o país do futebol desde quando? Um país que vive uma escassez enorme de jogadores de alto nível, em que escândalos como os descritos acima ocorrem ainda acha mesmo que é o país do futebol? Já fomos o país do futebol, mas paramos no tempo, estamos atrasados.
Segue, dizendo que a nossa (?) Copa do Mundo da Fifa será a melhor da história. Ai, pelo menos há verdade, mas só uma mesmo. Quado diz que a Copa do Mundo é da Fifa e não do povo. Em seguida, diz que os nossos aeroportos não darão conta... de torcedores empolgados. E que nossas ruas e avenidas estarão lotadas... de trios elétricos. Chega ser hilário, pra não dizer patético e vergonhoso.
Não sou daqueles que falam "imagina na Copa" em qualquer situação, mas, sim, temos que questionar. Como o país pretende realizar um Mundial e uma Olimpíada se nem transporte público de qualidade nós temos? O comercial ainda tenta nos convencer que o Brasil faz os maiores clássicos, e mostra o.. Maracanã. Deve ser uma tortura para os torcedores cariocas, que se acostumaram com seu gigante, ver um Engenhão com 10 mil pessoas ou menos no jogo do LÍDER DO CAMPEONATO.
Não, não somos mais o país do futebol, não fazemos os maiores clássicos, pois nunca os fizemos. Não torço para que a Copa seja um desastre, mas hoje não estamos preparados para o evento e, sem duvida, vamos acabar recorrendo ao "jeitinho brasileiro" na hora do que o bicho pegar. Aliás, como tem gente que se orgulha disso? Realmente, amigos, nós falimos.
Antes que algum palhaço venha dizer algo, se trata de um desabafo. Não endeuso tudo o que vem de fora, apenas proponho uma reflexão. Então, leia e veja o vídeo antes de comentar.
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